Imprensa
Artigo

O Drama do Sistema Tributário Nacional e a Necessidade de Mudanças no Modelo

21 de novembro de 2016 às 15:08

Por: Gabriel Geller, Mestre e Doutor em Finanças, sócio-diretor da G.GELLER Consultoria & Investimentos.

O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT elabora anualmente ranking que compara a carga tributária (% sobre o PIB) com o retorno oferecido à população através dos serviços do Estado (medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH), em 30 dos países com maior carga tributária do mundo. Na versão divulgada em 2015, que tem como ano-base 2013, o Brasil ocupou pela quinta vez consecutiva a última colocação.

Em termos nominais, não temos a maior carga tributária do mundo. A arrecadação do Governo Federal representa aproximadamente 36,4% (base 2013) do Produto Interno Bruto, o que nos dá a 32ª posição no ranking dos países que mais cobram impostos e taxas. Ocorre que, dos 31 países a nossa frente nesse indicador (portanto, aqueles em que os tributos pesam ainda mais sobre a renda, produção e consumo do cidadão), vinte são considerados países desenvolvidos, onde o retorno ao cidadão compensa o sacrifício financeiro para pagar o Estado, como é o caso na Suécia, na Alemanha, no Reino Unido, na França e na Nova Zelândia, para citar alguns. Por outro lado, apenas sete dos países com maior carga tributária podem ser considerados menos desenvolvidos que o Brasil, se olharmos para indicadores como renda per capita ou IDH.

Art_Geller 01

Na outra ponta, a do resultado oferecido à população, estamos em companhia de nações bem menos pródigas. Em termos de desenvolvimento humano, medido com base nos indicadores de longevidade, educação e renda, ocupamos a 79ª posição no mundo, atrás de países como Uruguai, Líbano, e Irã. No ranking específico de educação medido pelo desempenho no teste PISA, não passamos da 55ª posição entre 65 países, atrás de Cazaquistão, Turquia e México. Nos rankings de infraestrutura não aparecemos sequer nas 100 primeiras colocações, e na comparação recente dos sistemas de saúde de 48 países feita pela Bloomberg, ficamos em último lugar atrás de Argélia, República Dominicana e Peru.

Além da elevada carga tributária, outros problemas são evidentes no modelo adotado em nosso país. Um deles é a complexidade e instabilidade do sistema. Segundo estudo da consultoria KPMG, o Brasil é o país com maior quantidade de impostos e taxas diferentes no mundo, e as regras mudam constantemente. Desde a redemocratização foram publicadas mais de 309 mil normas tributárias, ou seja, mais de 01 nova norma tributária por hora. Isso significa um enorme tempo gasto para compreensão do sistema e cumprimento de obrigações acessórias, além de um maior risco de descumprimento involuntário de algumas normas, e do “desincentivo” à formalização de negócios. Para se ter uma ideia, as consultorias especializadas que elaboram guias tributários para empresas estrangeiras que chegam ao Brasil precisam renovar esses documentos a cada ano, e o nosso é o único país do mundo em que isso acontece.

art Geller 02

Ademais, e para piorar o cenário brasileiro, a maior parte da tributação, equivalente a 70% da arrecadação total, recai sobre o consumo, em comparação com 18% nos Estados Unidos, que tem uma das economias mais produtivas do mundo, e um dos maiores IDHs. Os impostos sobre o consumo são os piores pois, além de serem “invisíveis”, visto que não são recolhidos diretamente pelo consumidor ao Estado e por isso muitas vezes o cidadão ignora sua existência, são pagos em alíquotas iguais por ricos e pobres, fazendo com que, na prática, os pobres paguem mais tributos proporcionalmente à sua renda. A incidência em cascata dos tributos sobre produção e consumo faz com que produtos básicos tenham carga acima de 40%, como é o caso do sabão em pó (40,8%), conta de luz (48,3%), microondas (59,4%), entre outros.

O modelo de Estado Social da Constituição Federal de 1988, e quase três décadas de governos com viés social-democrata desde a redemocratização, legaram ao país importantes conquistas sociais, mas também uma carga tributária crescente e insuportável (de 22% na década de 1980 aos atuais 36%), e um modelo de Estado inchado e incapaz de administrar suas contas e retornar ao cidadão serviços públicos dignos e proporcionais à arrecadação. As demandas urgentes por ajuste fiscal, com corte de gastos da máquina pública e maior eficiência no setor público são reflexo de uma sociedade que não aguenta mais pagar impostos e receber tão pouco em troca.

O Governo Federal e o Congresso Nacional, para que assumam verdadeiro papel de liderança social, precisam trabalhar urgentemente nas reformas Administrativa e Tributária. É preciso criar soluções de longo prazo que efetivamente corrijam as distorções do modelo atual, e não apenas ajustes fiscais pontuais. É imperativo tornar o ambiente mais favorável para que o empreendedor possa gerar emprego e renda no Brasil, e para que o Estado consiga ofertar serviços adequados, de forma que todos tenham uma existência mais digna e com melhores oportunidades.

Últimas Notícias

Feira Tapajós Negócios 2026: lançamento ocorrerá na próxima segunda (27), na Aces Feira Tapajós Negócios 2026: lançamento ocorrerá na próxima segunda (27), na Aces
22 de abril de 2026 às 17:41

Feira Tapajós Negócios 2026: lançamento ocorrerá na próxima segunda (27), na Aces

Classe empresarial propõe construção de Anel Viário, em Santarém Classe empresarial propõe construção de Anel Viário, em Santarém
20 de abril de 2026 às 15:38

Classe empresarial propõe construção de Anel Viário, em Santarém

Aces e Faciapa anunciam Lançamento da Feira Tapajós Negócios 2026 para 27 de abril Aces e Faciapa anunciam Lançamento da Feira Tapajós Negócios 2026 para 27 de abril
31 de março de 2026 às 17:00

Aces e Faciapa anunciam Lançamento da Feira Tapajós Negócios 2026 para 27 de abril

A empresa Águas do Pará assumirá o sistema de saneamento básico em Santarém A empresa Águas do Pará assumirá o sistema de saneamento básico em Santarém
12 de março de 2026 às 16:56

A empresa Águas do Pará assumirá o sistema de saneamento básico em Santarém

Lote do distrito industrial tem ato de imissão na posse Lote do distrito industrial tem ato de imissão na posse
5 de março de 2026 às 17:24

Lote do distrito industrial tem ato de imissão na posse

Pesquisa de Interesse sobre arrendamento de área do 8º BEC Pesquisa de Interesse sobre arrendamento de área do 8º BEC
3 de março de 2026 às 17:50

Pesquisa de Interesse sobre arrendamento de área do 8º BEC

Serviços

Ver todos

Soluções dedicadas ao empresário brasileiro

Conheça nossos serviços para a sua empresa.

Conhecimento e informação nos conecta

Compartilhamos conteúdo do seu interesse

  •  

Eventos

Ver todos

Agenda dos Eventos Empresarias

Participe dos eventos organizados por entidades que apoiam os empresários da região.

Busca

Fechar

Categorias de Serviços

Fechar

Categorias de Vídeos

Fechar

Associações

Fechar
Logomarca Hotpixel